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Ministro da Defesa russo afirma que prioridade é destruir mísseis ucranianos

Novas armas enviadas pelo Ocidente à Ucrânia têm causado problemas para a Rússia



O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, instruiu os militares a priorizar a destruição de mísseis de longo alcance e armas de artilharia da Ucrânia, segundo informação do ministério da Defesa, nesta segunda-feira (18).


Kiev relata ter realizado uma série de ataques bem-sucedidos em 30 centros russos de logística e munições, usando vários sistemas de lançamento de foguetes múltiplos recentemente fornecidos pelo Ocidente.


Novos mísseis enviados pelos EUA à Ucrânia causam problemas para a Rússia


Existe um fator novo e possivelmente muito significativo no conflito na Ucrânia: a capacidade dos ucranianos de usar sistemas ocidentais recentemente enviados para atingir postos de comando russos, centros de logística e depósitos de munições localizados muito além das linhas de frente.


Na semana passada, enormes explosões ocorreram em diversas áreas ocupadas nas regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson. A evidência disponível, fornecida por imagens de satélite e analistas ocidentais, é que esse direcionamento tem sido muito eficaz.


Durante meses, os militares ucranianos suplicaram a parceiros ocidentais por artilharia de precisão de longo alcance e sistemas de mísseis. Agora, eles possuem esses recursos, que estão sendo implantados com efeito considerável no sul e no leste do país.


Os militares ucranianos não deram detalhes, mas Vadim Denysenko, um funcionário sênior do Ministério do Interior, disse na quarta-feira (13) que, nas últimas duas semanas, “acima de tudo e graças às armas que a Ucrânia recebeu, conseguimos destruir cerca de vinte armazéns com armas e estoques de combustível e lubrificantes. Isso certamente afetará a intensidade do fogo” que os russos podem mobilizar, afirmou.


O melhor dos sistemas avançados de mísseis é o HIMARS fornecido pelos EUA, que é uma unidade móvel que pode fazer o lançamento múltiplo de mísseis guiados, mas os ucranianos também receberam canhões M777 dos EUA e Canadá, e canhões Caesar de longo alcance da França.


Além disso, o Reino Unido se comprometeu a fornecer lança-mísseis de longo alcance M270 (MLRS), que são mais poderosos que o HIMARS, mas não se sabe quando a Ucrânia concluirá seu treinamento e implantará o sistema.


A versatilidade do HIMARS está em seu nome: sistema de artilharia de foguetes de alta mobilidade (High Mobility Artillery Rocket System, em inglês). Sua mobilidade faz com que o sistema seja mais difícil de ser atingido, e ele pode ser tripulado por apenas oito soldados. Os mísseis fornecidos à Ucrânia têm um alcance de 70 a 80 quilômetros, e seu sistema de orientação por GPS os torna extremamente precisos.


Como descreveu Mick Ryan, analista militar e ex-major-general australiano: “Ele é usado para destruir importantes nós de comunicação, postos de comando, aeródromos e instalações de logística”.


Desta forma, oficiais russos sênior ficam especialmente vulneráveis. A precisão do HIMARS também significa que os ucranianos podem se preocupar menos com vítimas civis. Os mísseis guiados têm precisão de dois a três metros, disseram duas autoridades de defesa à CNN, permitindo que os ucranianos usem muito menos munição para atingir alvos à distância.


O HIMARS parece ter sido usado em um ataque maciço contra um armazém na cidade de Nova Kakhovka, na região de Kherson, na noite de segunda-feira (11). O ataque desencadeou explosões secundárias e causou danos generalizados, de acordo com imagens de satélite analisadas pela CNN. As imagens ainda mostraram a precisão do ataque, que deixou apenas uma pequena cratera.


Autoridades locais pró-Rússia disseram que partes de um foguete HIMARS foram recuperadas, e que os números de série batiam com o armamento.


Houve também grandes explosões nas regiões de Luhansk e Donetsk, desencadeando múltiplas detonações. O mesmo aconteceu em Shakhtarsk, em Donetsk, e na região de Kherson, no fim de semana, bem como perto de Melitopol, em Zaporizhzhia, na semana passada.


Ao todo, parece que cerca de dez alvos atrás das linhas de frente russas foram atingidos em julho, a maioria deles a pelo menos 40 quilômetros – uma distância na qual os antigos mísseis Tochka-U teriam dificuldade de ter precisão.


Os ucranianos também têm disparado o HIMARS à noite, tornando a localização e o ataque ao lança-mísseis mais difícil para os russos. As forças russas têm tido dificuldades para combater à noite desde o início do conflito, e os ucranianos ainda usam esse aspecto a seu favor.


Fonte: CNN Brasil

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