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  • Redação

Peça de 600 kg do foguete SpaceX cai perto de casa no Paraná: 'Me assustei'


Os moradores de uma propriedade rural em São Mateus do Sul, da região sudeste do Paraná, encontraram o que especialistas apontam como um pedaço do foguete Falcon 9, da SpaceX, do bilionário Elon Musk. O objeto foi encontrado ontem (16), no terreno do casal João Ricardo Pacheco e Joseane Maria Franco.


O material de quase 600 kg e cerca de quatro metros de comprimento intrigou o casal. A peça estava a cerca de 50 metros da casa onde eles moram e a 30 metros da rodovia às margens da chácara.


"Quando vi a peça caída no chão, achei que era uma barraca e fiquei bem assustado. Nunca tinha visto isso antes. Por aqui, é tudo muito inédito. Imagina se isso cai em cima da minha casa? O estrago ia ser muito grande", disse Pacheco, a Tilt.


"Na terça-feira a gente ouviu um barulho muito grande, parecia zinco caindo. Fez o barulho, parou e não conseguimos descobrir o que se tratava, já que estava chovendo. Só ontem descobrimos o que era", acrescentou ele.


Rastro de foguete no céu intrigou brasileiros

Na semana passada, houve o registro da desintegração de um foguete da SpaceX que passou pela região de Altônia e São Mateus do Sul. Uma luz forte no céu na região Sul do país chegou a chamar a atenção há alguns dias, em especial, do Rio Grande do Sul. Feixes de luz também foram registrados pelo Observatório Espacial Heller & Jung.


Segundo Marcelo Zurita, diretor técnico da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros), inicialmente os astrônomos não acreditavam se tratar de um lixo espacial pelo fato da peça ser de um material muito fino e grande, que não suportaria o calor envolvido na entrada do objeto na atmosfera terrestre.


A confirmação veio depois de analisado outros estágios do foguete, que tinham semelhanças com o objeto encontrado em São Mateus do Sul.


A peça é feita de uma liga de nióbio e titânio, que garante à estrutura uma resistência adicional às altas temperaturas, o que explicaria o fato de ela ter resistido à reentrada atmosférica, de acordo com o astrônomo.


Caso raro

Segundo o diretor da Bramon, há poucas chances de um incidente assim acontecer: "na semana passada, quando houve essa reentrada do foguete na atmosfera, a gente acreditava que os fragmentos tinham caído no mar." "Esse caso surpreendeu.


A possibilidade de uma parte de foguete atingir uma área é muito remota, já que grande parte do planeta é coberta de água e há muitas partes desabitadas. Já registramos vários casos no Brasil, mas é um fato muito incomum", completou Zurita.


Ao que tudo indica, o lixo espacial faz parte do segundo estágio do Falcon 9, lançado em 19 de dezembro do ano passado da Base da Força Espacial dos EUA, na Flórida. De acordo com a Bramon, é um equipamento fabricado na França e de propriedade da operadora turca Turksat, desenvolvido para fins militares e comerciais. Ele foi para o leste, sobre o Oceano Atlântico, para colocar o satélite de comunicações turco Turksat 5B em órbita.


Após cumprir sua missão, o foguete permaneceu em órbita da Terra até o dia 8 deste mês, quando reentrou na atmosfera às 4h36 da madrugada, cruzando os céus de Santa Catarina e Paraná.


Depois que o objeto cai, a peça não causa mais riscos. O material ainda está no mesmo local em que foi encontrado e disponível para novas análises.


A Força Aérea foi procurada para comentar o assunto, mas informou que apura o caso e que deve se manifestar em breve.


"Parecia estrela cadente"

A moradora de Três Passos, no Noroeste gaúcho, Maria Soeli da Silva, 45, viu "algo em movimento" e estranhou no último dia 8 de março. "Parecia uma estrela cadente, tinha uma espécie de cauda. Tentei fotografar, mas não consegui. Sempre acordo cedo porque preciso trabalhar em outra cidade", diz.


Ela conta que olhar para o céu é uma das primeiras coisas que faz pela manhã. "A gente consegue saber se chove ou não; como a seca está forte, a esperança é sempre pela chuva. Só que hoje me assustei com o que vi, até chamei meu marido."


A passagem do objeto ocorreu por volta das 4h35min.


*Com informações do UOL

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