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Vereadoras se indignam com crachá colocado em aluno autista



Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, as vereadoras e procuradoras da Mulher do Legislativo de Jaraguá do Sul, Nina Santin Camello (PP) e Sirley Schappo (Novo), trouxeram ao plenário da Casa de Leis, na sessão da última quinta-feira (25), a situação de uma criança autista aluna de uma escola municipal. Segundo Nina, a mãe do estudante de cinco anos de idade, ao receber seu filho depois da aula, ficou revoltada ao ver um crachá pendurado no pescoço do jovem com os dizeres “Não pode bater” e “Não pode empurrar o colega”. No crachá também havia a foto do menino em cima de um desenho simulando as ações e um X vermelho que denotava a proibição das hostilidades.


Nina afirma que a mãe ligou para ela aos prantos. “Imaginem se seus filhos chegassem em casa assim?”, indagou. A parlamentar advertiu que, ao ver os crachás, as outras crianças vão acabar tratando o autista de maneira diferente da qual ele deveria ser tratado. A tendência, conforme seu entendimento, é de afastamento das crianças com o autista, aumentando ainda mais o preconceito existente. “Como que essa criança será vista por seus colegas? Uma humilhação”, adverte.


As vereadoras relataram que a mãe foi à escola procurar uma explicação. Todavia, segundo elas, a unidade se justificou afirmando que os crachás jamais deveriam ter saído de dentro da escola, já que era somente para uso interno, e não houve pedido de desculpas. Para as procuradoras, existem maneiras muito mais corretas de se educar as crianças, mas o método utilizado é inaceitável.


“Qual é a lógica de pendurar um crachá numa criança autista, que não vai ver o próprio crachá. Ela não sabe ler, porque tem cinco anos. Quem vai ler aquilo são só os alunos maiores”, explicou Sirley.


Nina e Sirley ainda lembraram que o apelo feito por elas para revisão do contrato nº 614/2021 celebrado com a empresa Flamaserv Serviços Terceirizados LTDA que contratou funcionários de apoio escolar para alunos com deficiência ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda não foi atendido. Para as parlamentares, essa é uma situação que prejudica muito a qualidade do ensino nas escolas municipais jaraguaenses. Elas afirmam que a criança em questão já passou por cinco cuidadores diferentes, interrompendo o ciclo em vários momentos. A moção de apelo também foi assinada pelos vereadores Jair Pedri (PSD), Jeferson Cardozo (PL), Jonathan Reinke (Podemos) e Rodrigo Livramento (Novo).


“Educar bem essas crianças agora é economizar no futuro, quando essas crianças forem independentes e não precisarem do Estado”, frisou Sirley.


Fonte: Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul

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